Garantir o futuro de Angola: melhorar o acesso das mulheres no mercado de trabalho

Contexto

Angola deve diversificar a sua economia para além dos recursos minerais e criar emprego noutros sectores para reduzir a vulnerabilidade social e económica. De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) de Angola, 37 por cento dos angolanos vive abaixo do limiar de pobreza. No entanto, a pobreza rural é três vezes superior, 58 por centro, à pobreza nas áreas urbanas, 19 por cento.

As províncias do Huambo e Benguela apresentam solos com bom potencial agrícola, seis meses de chuva  garantidos o que permite ter excelentes recursos hídricos  de modo a  estabelecer um sistema de irrigação gravitacional.  Para além disso, a cidade de Benguela (500.000 habitantes) é um mercado lucrativo na área dos produtos agrícolas e uma porta de entrada para o mercado costeiro de Angola. Estimular a produção local de alimentos e a sua entrada no mercado pode conduzir a uma substituição da importação, o que é imensamente desejável.

O projecto foca-se no seguinte:

  • Encorajar as mulheres empreendedoras e as que prestam cuidados básicos a crianças
  • Proporcionar às mulheres um melhor acesso aos mercados
  • Aperfeiçoar tecnologias cooperativas com o foco na introdução de batatas doces de polpa alaranjada (ricas em vitaminha A essenciais à nutrição infantil)
  • Apoio inovador em cadeia através de bancos de sementes e fertilizantes.

Este projecto multi-dimensional procura melhorar a agricultura de pequenos produtores, o acesso ao mercado, aumentar o rendimento dos agricultores e assegurar autoconsumo de bens agrícolas em cada núcleo familiar, assim como melhorar a nutrição infantil nos municípios ao longo da área que liga Huambo a Benguela.

As actividades ao abrigo deste programa incluem agricultura, comercialização, mobilização de base e educação nutricional.

Agricultura: Os profissionais das áreas agrícolas ajudam os agricultores a adoptar técnicas testadas e sólidas e a facilitar o uso de  sementes de culturas de elevado valor nutricionais, tais como batata comum, amendoim, feijões secos, couve, cenoura e cebola. Os agricultores
também devem aprender como conservar e  armazenar   os seus produtos a fim de poderem chegar ao mercado  nas melhores condições possíveis.

Comercialização: O projecto liga os consumidores de bens agrícolas de  Benguela e os da costa abrangendo quatro municípios ao longo do corredor rodoviário e ferroviário entre Huambo a Benguela, abrindo novas  oportunidades comerciais a colheitas de elevado valor nutricional preferidas pelos consumidores urbanos e aconselhando os agricultores sobre estratégias lucrativas de comercialização.

Mobilização de base: Até 10.000 agricultores serão organizados em 50 associações.

Nutrição:  As comunidades recebem educação nutricional, aulas de culinária, dicas sobre como melhorar o desmame e a alimentação das crianças e detecção de desnutrição na infância.  As hortas familiares fornecem alimentos de grande teor nutritivo e informações nutricionais. Em cinquenta áreas comuns irão ser plantadas as altamente nutritivas batatas doces de polpa alaranjada, ricas em vitamina A, a distribuir pelos agricultores. Os activistas de saúde da comunidade receberão formação em nutrição e higiene.

As áreas de localização do projecto incluem os municípios de Ukuma, Longonjo e Tchinjenje na província do Huambo, e os municípios de Ganda e Cubal na província de Benguela. O projecto é dirigido a um número estimado de 10.000 agricultores, equivalente a 50.000 pessoas. Os grupos que se priorizam incluem mulheres agricultoras, empreendedoras e aquelas que prestam cuidados de saúde familiar.

Pelo menos 60 por cento dos participantes serão mulheres e 20 por cento são chefes de família.

Rosalina Bundu é membro da Cooperativa Agropecuária de Calundende que representa cinco associações de agricultores e 250 famílias de pequenos produtores no município de Cubai na província de Benguela. Tem 38 anos e é casada. Rosalina teve seis filhos mas apenas três estão vivos.  Os três filhos que perdeu morreram de doença e desnutrição quando tinham menos de três anos. Rosalina normalmente cultiva mandioca, milho, legumes e abóbora e vende o produto dessas colheitas no mercado local. Nunca teve oportunidade de plantar batata comum nem de comprar sementes.

A cooperativa recebeu quatro toneladas de rosilinasementes de batata da
espécie Cara, trazida para Angola pela Visão Mundial. Esta semente tem tido um enorme sucesso quer junto dos pequenos produtores quer dos produtores comerciais e está já disponível para comercialização através de um fornecedor de produtos agrícolas. Revela um elevado grau de resistência à praga da batata, é um produto robusto e pode ser utilizado pelos consumidores num variado uso culinário.

Rosalina afirma: “Estou muito feliz… Agora posso plantar e vender batatas e assim ajudar a resolver alguns dos nossos problemas. Se houver uma boa produção das nossas batatas, seremos capazes de comprar animais e melhorar a nossa casa com um fogão, mobília e cimentar o chão. Seremos também capazes de incentivar e apoiar as nossas crianças para seguirem o ensino superior e quando tivermos problemas de saúde seremos capazes de comprar medicamentos e de pagar a conta do hospital. Também estamos muito interessados nas aulas de culinária, em como preparar pratos nutritivos para as crianças e assim melhorar a sua saúde. Vamos cuidar da semente da batata e ter muita atenção à forma como a guardamos e armazenamos todos os anos. … vamos manter e multiplicar a semente da batata para a podermos partilhar com outras comunidades e assim poder também ajudá-los.”

About

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Iniciando
March 2015
Final
March 2017
Áreas principais
Education
Províncias
Huambo & Benguala
Parceiros
  • Instituto de Investigação Agronómica (IIA)
  • Instituto para o Desenvolvimento Agrário (IDA)
  • Ministério da Família e Promoção da Mulher (MINFAMU)
  • Os trabalhadores da administração municipal e comunitária também estão envolvidos no projecto